sábado, 24 de setembro de 2011

Nostalgia constante

     Hoje eu me sinto estranha, com uma necessidade em desabafar, mas sem nem ao menos saber o que se passa comigo. Com movimentos lentos, sem vontades para nada. Precisando de silêncio, preferindo escuro, qualquer meio que me mantenha mais calma, mais  tranquila. Me sinto quente, mas de uma hora para outra, gelada feito pedra. Me sinto carente, sozinha, deixada de lado até por mim mesma. Uma angústia, um aperto no peito, algumas doloridas lembranças.
    Eu vejo pessoas sendo felizes com tudo aquilo que eu posso ter, mas não quero para mim. E ainda não entendo por que isso me afeta, se, não ter, é só mais uma decisão minha. Eu sofro, mas em silêncio, por vergonha. Eu guardo tudo para mim, e mesmo parecendo só piorar, eu escolho ser assim. Eu sinto, mas escondo, por orgulho. Eu sinto falta de coisas que só não tenho por não querer, e é completamente maluco pensar assim. Eu ainda amo, mas não assumo. Eu ouço demais as opiniões das pessoas, até quando não deveria, e com base nisso me confundo em minhas escolhas. Tem horas que eu até me incomodo com a felicidade dos outros, e não queria ser assim. 
    Eu encho meus olhos de saudade, em mais um momento nostálgico. Eu ainda sinto muita falta. Qualquer contato com o passado é inevitável, e me machuca, como se eu estivesse perdendo tudo de novo, como se eu estivesse revivendo. Acredito que eu devo ter algum  bloqueio com o futuro, seria a única explicação. Me parece que eu parei no tempo, em uma determinada época, já passada, e que com isso, eu só consigo conviver, e me sentir bem, com aqueles que nela estavam, ao meu lado. Parece que eu me mantenho travada no mesmo lugar, vivendo de passado e que qualquer avanço que eu dou, é nulo. Uma maldita nostalgia constante que só me deixa andar em círculos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

E sempre que puder, estarei sorrindo

    Eu nunca vou conseguir entender porque a gente continua sempre com essa mania de querer ser de alguém, e também porque que quando isso não acontece não é de sorrisos que nossos rostos se tomam. É muito pelo contrário. Esse nosso desejo de pertencer alguém, de ter alguém, talvez seja o maior objetivo de um grande número de pessoas, mas não mais o meu. Primeiramente quero me encher de sorrisos sinceros, de felicidades. Essa vontade de se sentir completa, uma vontade de colocar em cima do outro a obrigação em fazer de nós, pessoas felizes. Quanta bobagem!
    Hoje, eu vejo a felicidade apenas como uma questão de escolha, como um querer aceitar a vida como ela é e tentar tirar proveito de todas as situações - sugando só coisas boas. Pessoas entram e saem da nossa vida a todo o momento e não podemos transformar a nossa felicidade em algo assim, tão passageiro, tão inconstante, que ao mesmo tempo que nos acompanha, pode também nos deixar, sem grandes explicações.
    Pessoas são de lua, e não quero ter a minha felicidade com intensidades baseadas em fases. Pessoas são, sim, necessárias para se viver bem, ninguém é feliz sozinho, mas antes de procurarmos isso nos outros, devemos primeiro encontrá-la dentro de nós. Eu acredito no amor, e acredito também na felicidade que ele nos trás, mas acredito mais ainda que se buscarmos felicidade nas pequenas coisas, antes do amor, nossa felicidade poderá assim, se tornar cada vez mais permanente e verdadeira. 
  Parei, pensei e percebi. Pessoas gostam mais de quem sai por aí sorrindo, com um tranquilidade estampada no rosto e não quem fica com uma dor amargurada a espera de um amor para esboçar um mísero sorriso. Quando menos se espera, mas rápido vem, e é melhor aguardar sorrindo do que com lágrimas angustiantes aos olhos. 

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Seja nesse, ou em outro plano


   Em dias como hoje me peguei pensando, em como consigo manter esse amor apenas alimentado por lembranças? Por ser tão grande e por ser tão forte, isso se torna tarefa fácil, apesar de dolorosa. Me pego lembrando cada momento, e em meu pensamento ainda é tudo tão real, como se tudo ainda estivesse ao meu alcance, como se eles ainda estivessem ao meu toque, como se tudo isso fosse somente uma viagem longa, onde partiram rápido, sem se despedir, mas que logo os terei novamente para mais abraços. Acontece que o tempo passa e essa viagem não chega ao fim. Junto com esse tempo a realidade vem a tona, e isso tudo dói demais.
   É um desespero por um reencontro que não chega e uma inquietação em se ver só. Lembranças me machucam, me cortam por dentro. É inevitável. Uma ausência que não tem cura, um vazio, pedaços arrancados de mim da forma mais brusca. Ainda assim, apesar de tanta dor, é impossível não abrir um sorriso e se sentir orgulhosa ao tocar em seus nomes, bater no peito e falar com sorrisos e olhos repletos de saudade o quão bom foi ter avós como esses, e o quanto eu sinto falta desse passado. Um amor tão inexplicável, de uma forma que nunca ninguém chegou, ou chegará perto. Um amor que vai além de qualquer plano, que ao perder de vista nesse, continua aceso nos corações, a espera do próximo. Um amor que domina de tal forma que é impossível passar um dia, se quer, sem falar a respeito. Um amor que apesar dos anos passarem ele não apaga e nem diminui sua intensidade. Um amor que nasceu de grandes admirações. Meus amores para a vida toda.