sexta-feira, 29 de abril de 2011

Me disseram que iria passar

    Me disseram que iria passar, que não iria mais doer, que eu iria esquecer. O tempo passa mas não leva com ele as dores que a gente gostaria de não sentir mais. O tempo passa mas não tem a capacidade de apagar da nossa memória pessoas que marcaram a nossa vida. O tempo passa mas o que não passa é essa saudade imensa e essa vazio que aqui dentro de mim ficou. Nunca pensei que um dia sentiria tanto a falta de alguém. É um sentimento inexplicável, machuca lá dentro - não o desejo a ninguém. Tenho lembranças, lembranças tão boas, momentos ao lado dela, risadas, conversas, enfim, tudo que a gente passou juntas, às vezes passa na minha cabeça, de repente. 
    Lembro do seu sorriso e da forma como ele se formava - tão sincero - quando aparecia um de nós,  netos, filhos, ou simplesmente pessoas que ela queria bem. Lembro das conversas que tivemos e levo comigo todas aquelas palavras usadas nas horas certas, que me ajudaram, e me ensinaram muitas coisas, as quais vou levar para o resto da vida. 
     Foi com ela que aprendi a ouvir sempre o que os outros tem a me dizer, a tentar controlar o tom da voz, mostrar que com o respeito a gente nunca perde a razão. Ela me ensinou que eu nunca devo falar quando estou irritada, pois posso me arrepender depois, me mostrou o significado da palavra ''confiança'', do quão importante ela é, e quanto foi indispensável na nossa amizade, de forma não necessária, mas involuntária, confiança que veio com o tempo, confiança que nunca tive em ninguém, e não sei se vou ter tão cedo. 
     Não perdi só a minha avó, e sim uma amiga - a mais verdadeira - que com experiência me mostrou como ver a vida de outro jeito e com calma e paciência tentou me ajudar quando precisei. Passamos por momentos bons e ruins, mas SEMPRE juntas, uma ajudando a outra, tentando ficar bem, fazer a outra estar bem, desabafando juntas. Se tem uma coisa a qual eu me orgulho muito e jamais vou esquecer, foi a confiança que ela tinha em mim, de modo que só desabafava e conversava sobre o que sentia comigo. Acreditou em mim e me fez me sentir importante para ela. 
      Não foi muito tempo que tive para aproveitar e viver ao lado dessa grande mulher, foram quinze anos, os quais eu tenho certeza que eu jamais vou esquecer. Vou lembrar com felicidade, saudade, e tentando aprender a cada dia mais com essa vida - agora sem ela. Eu espero o dia que vou vê-la, de novo, poder  abraçá-la, mostrar o quanto me fez, e faz, falta e o quanto foi, e continua sendo, importante para mim. Meu orgulho, a melhor pessoa que conheci, minha avó, agora, o anjo que me guia; Sonia Ribeiro Barbosa. 

quinta-feira, 28 de abril de 2011

É pedir muito?

    Nunca fui um pessoa 100% correta - confesso. Ao longo de minha trajetória cometi muitos erros, até mesmo feri algumas pessoas, involuntariamente, mas isso não quer dizer que eu não me esforce para melhorar; não mesmo. Acontece, que acima de tudo, eu sou humana; pele; ossos; e principalmente formada por sentimentos. Orgulhosa, sim, sempre fui, mas isso já se tornou passado, não faz mais parte do meu agora. Perdi meu orgulho na marra, esqueci dele para correr atrás de coisas melhores.  De uns dias para cá, tenho evitado ficar em silêncio, ficar sozinha, tenho evitado ficar sem ter o que fazer, e acabar tirando o meu tempo para pensar. Preciso ficar bem, mas se ficar me torturando com pensamentos e lembranças a cada dia mais, isso só vai me deixar pior. É bem difícil de entender tudo isso. Até para mim. 
     A que ponto eu cheguei? Até onde sou capaz de ir? Até quando vou tentar levar adiante algo que só se vê esforço da minha parte? Vale a pena me machucar tanto assim? Caí de cabeça - não nego - mas também não me arrependo de nada. Acho que tudo que se faz nessa vida se tira alguma lição, sempre. A questão agora, é que não adianta mais falar nada, não entendo o que se passa na minha cabeça, e ainda quero tentar entender o que se passa dentro dos outros. Quem eu acho que sou? Posso, sim, me tornar cansativa e repetitiva, sei de tudo isso, mas é pedir muito o mínimo de atenção, um pouquinho de compreensão? Custa se esforçar um pouco e tentar fazer toda essa situação terminar; dar um fim na minha aflição e decidir o que é melhor para os dois lados? 
     Posso estar errada, mas acho que isso não é pedir demais, e sim o mínimo que eu poderia receber diante de tudo que tive e ainda tenho a oferecer. Mas, sinceramente, parei por aqui, me refiro as minhas insistências. Vou esperar, deixar o tempo se encarregar de tudo. Fico assim, no aguardo, não sei até quando, mas espero não me arrepender, de ter ido tão longe e acabar sem nada.

sábado, 9 de abril de 2011

Exageros, intensidades e crises

    É, eu me conheço, sei tudo o que eu faço ou deixo de fazer. Sei exatamente a imagem que eu passo para os outros, em cada momento. Eu sei que, muitas vezes, eu piro, enlouqueço, faço birra e até surto, como se quisesse apenas chamar atenção - mas não é isso. Fico mais louca ao ser chamada de "mal humorada", ou até mesmo "mal educada" - por mais que as vezes seja verdade.
    Acontece, que tudo isso tem um motivo - o qual não é tão grande, nem tão pequeno - mas tem um enorme valor ''incomodativo'', para mim. Sei que tenho uma grande e defeituosa mania de fazer um pequeno problema se tornar uma tragédia - um caos - de modo que me detone por completa. Sim, eu sou exagerada, sou intensa - até demais. Tenho um poder de autodestruição incrível, me detono em questão de segundos, basta querer. Estou acostumada a ser bem mais criticada do que questionada; quando em meio a uma ''crise'', ao ser questionada eu enlouqueço, e podendo, saio por ai ''largando as patas'', feito bicho.
    Pois é, todos nós temos defeitos, não é verdade? Se os meus são mais intensos - ou não - só cabe a mim mesmo saber, e aos demais somente aceitar; Sim, aceitar, afinal, quem não souber lidar com o meu pior, não vai merecer o meu melhor. Diferente de birras apenas por prazer, as minhas tem motivos, as classifico como um simples medo, este no qual não será entendido tão fácil - a não ser por mim. Isso, que eu chamo de medo, engloba tudo que eu tenho vivido até hoje; medo de perder; sofrer; correr riscos; medo até mesmo de temer a algo que seja maior. Insegurança; essa é outra palavra que também resume meus anseios. A verdade é que quando esse ''medo'' atinge meu limite é ai que eu surto, saio de mim e tenho minhas crises, mas e quanto a isso, quem vai entender? Quem ao menos se importaria? Nunca exigi que as pessoas me entendessem , mas respeito é uma coisa que todo mundo deveria ter.